sexta-feira, 5 de junho de 2015

Perfeição

Senti que eras diferente assim que entraste.
Era inegável a elegância com que te vestias e a encantadora postura com que sabias estar. 

A subtileza com que os nossos lábios se embrulharam, a meiguice com que as roupas se despregaram de nós e a envoltura com que os nossos corpos se descobriram, deixaram-me rendido a ti.
Mas foi nas pequenas coisas, que percebi que eras única.
A forma como os teus olhos acompanhavam o teu sorriso, o modo inteligente e doce como as palavras despontavam da tua boca, a elegância com que a espontaneidade dos teus gestos sabiam a música, a leveza com que movias o teu delicioso corpo, nu e livre de uma pose de desejo, o odor do perfume que de ti emanava e o delicioso sabor com que me adoçaste a boca no beijo, memorizaram em mim uma palavra... perfeição.
Ou melhor, quase perfeita.

A perfeição é sempre aquele pedacinho que falta para ser melhor que o melhor...



...mesmo quando ser melhor é impossível.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

O meu (teu) sorriso.


Secret Smile - Semisonic

Observo-te do outro lado da rua.
Divagas em pensamentos longínquos, que só tu sabes para onde te transportam. Talvez para um passado distante, talvez para um futuro sonhado. Não sei.
Olhas para mim, mas tu não me vês, pois não sou quem procuras. Procuras aquilo que necessitas e não aquilo que queres.
Caminhas de um lado para o outro, devagar, passo ante passo, na direcção do pretendido. Desfilando com o corpo vestido de ofertas e com o teu sorriso mais eficaz, abordas o homem que de ti se aproximou.
Ele foi embora, e tu entre o alívio de ele ter partido e a frustração de o teres perdido, olhaste para mim e ofereceste-me um lento sorriso.
Retorqui ao teu sorriso, com o meu tímido e ávido sorriso. 
Senti-me feliz…feliz por me presenteares com aquele teu desigual sorriso. Diferente do habitual propósito dos teus sorrisos.
Um sorriso que usaste só para mim. Genuíno, triste mas sincero. Um sorriso que me disse que escondido naquele semblante triste, havia esperança. Que camuflada na roupa sexy e na exagerada pintura estava a verdadeira mulher.
Perdido no sentir, desconcentrado nas emoções, sentia-me tentado a ir ter contigo, arriscar um “olá”, um “estás boa”, qualquer coisa. Não interessava o quê, o como ou o porquê. Simplesmente queria ir ter contigo. Queria perfumar-me no teu odor, estremecer no som da tua voz e se possível sentir-te o gosto, mas… mas tu continuaste no desfilar do teu corpo, coberta nessa máscara fria com que te proteges, sem mais olhar, sem mais sorrir…
E eu...
Eu continuei no outro lado da rua.
Talvez à espera do próximo sorriso, aquele que só usaste para mim.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Mais uma...

E como diz o ditado... não há duas sem três...


...e eu digo, onde houve três, há quatro, cinco e quantas as que tu quiseres.


Bon Iver - Holocene

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pedaços

Disse-te que perdi um pedaço de ti,
mas não...
não se perde algo que nunca se teve

...tu é que perdeste um pedaço de mim.